An international blog about literature and ecocriticism. Here I include my own lyrics, by Rui M. and also the work of others, from 10 to 14 each month 2017: new contributions sent to ruiprcar@gmail.com Periodical Art contests and Critics. Thanks. Arigatou

31
Jul 12

O dia era claro, feito de luz vivida.

 A tua face brilhava envolta no véu transparente.

 Tudo luz, tudo seduz: sentia-se vida.

 Este poema é para ti: Deusa inexistente.

 

Mas, se existisses, este poema também seria nada.

 Apenas cinza, como a que crias na noite

 tomada pelo mais cáustico bréu.

 Assombrosa escuridão sem vento nem luar.

 

Mas que mais se poderia esperar do trabalho feito por um tolo

 quando comparado com a força hercúlea da tua beleza celeste?

 

Em tumulto percebo, arrastado, que o teu corpo invisível não o vejo.

 Vislumbro só o Divino passo marcado no chão.

 Um desenho de contornos feitos de lume, subtil clarão,

 subtilmente seguido por outro e eu ao vê-los arquejo.

 

Submisso a ti. Em súplica. A contemplar o teu fogo. Nós a sós.

 As labaredas minúsculas ondulantes: a única referência de luz.

 Se tudo é um sonho, ainda assim, eu só quero

 o precipício fugaz desta tua existência de Vénus.

 

Luz e sedução, escuridão e calor, assim,

 é o fogo telúrico do teu amor.

 

Nota do autor:

O adjectivo "hercúlea" deriva de Hercules, o Deus da antiguidade.

 

 

 

 

 

 

 

published by talesforlove às 23:30